sábado, 5 de junho de 2010

Sempre de volta à Toquio





Eu sempre volto à Tóquio, isto é, a Encontros e Desencontros.

Esse é o filme onde meu coração está. De verdade.

Por que?

Sofia Coppola faz um conto sobre estar perdido: em uma cidade, em um relacionamento, em nós mesmos.
A câmera procura e procura, e de repente acha: Bob e Charlotte se sentam em um bar de hotel e se encontram - mesmo ainda estando perdidos. Meu Deus, perdidos para sempre.

E então vem a ternura, e a esperança e a cumplicidade. E são momentos, momentos que brilham sozinhos numa semi-treva de abandono.

O que acontece nesse filme é sagrado, e irremediavelmente humano (que é onde o verdadeiro sagrado mora).

Bob avisa Charlotte: More than this, you know there's nothing...

O que Sofia nos mostra, em um rigor que está a serviço da naturalidade de um encontro, é que o "this" já é bastante, por mais que não haja nada além daquilo.

Porque o verdadeiro compartilhamento de uma cama, o descansar da cabeça no ombro do outro, a despedida da qual nós, público, não podemos participar por estar em um nível inalcansável de intimidade, todas essas coisas valem uma vida.

Da insatisfação e da frustração vem essa tentativa de compreensão mútua, e, para mim, pouco importa se a compreensão acontece (apesar de eu achar que acontece sim), porque a tentativa do entendimento em si já é bela o suficiente para restaurar um pouco da minha fé e um pouco da minha angústia.

Esse filme, esse acontecimento, é minha obra-prima. É meu e sou eu.

E eu, agradecido da forma mais sincera, me rendo à essas magias do cinema.

5 comentários:

mariana disse...

eu sempre quero comentar algo bacana, mas deppois de um texto teu nem sempre é possivel. sei lá.. fica então o meu texto no meu blog como comentário :)

mariana disse...

http://bemdavida.blogspot.com/2008/04/o-cinco-que-nos-abril-ao-devaneio-de.html

Mateus Moura disse...

=~~~~~~~~~~

Miguel disse...

uau

Sânia disse...

Ao som de "Just like honey".